quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Minha cor preferida

Foto do entardecer visto a alguns metros de casa. Tirei essa foto quando sai com as minhas amigas,
Dani e Taieny para fotografar no pôr-do-sol. Não deu muito certo. Dia 18/10/2013.
Era pra eu ter mais uma irmã, mais nova do que Amani e mais velha do que Hamdy, mas ela morreu na barriga da minha mãe. Minha mãe contou que ela estava passando mal, e quando foi no médico, ele disse que não sabe como ela tá viva, pois o bebê havia morrido no útero dela fazia dias, o feto já estava podre. Ela contou pras visitas lá em Palestina que a enfermeira a fez ficar de pé, empurrou a cabeça dela pra frente e ai, o bebê saiu. Simples assim. Quando ouvi isso, eu tinha dezesseis anos, era esse ano e eu fiquei em choque. Quando a minha mãe perdeu o bebê eu tinha uns oito anos e só fui saber dessa história agora, muitos anos depois.

Lembro-me que fiquei muito triste quando descobri que não teria mais uma irmãzinha, eu queria poder chama-la de Isabela, mas não poderia mais. Uma vez, eu estava no andar de cima, dias depois do enterro, com os cotovelos encostados na janela do quarto da minha mãe, apoiando a cabeça com as mãos e olhando para o céu, quando ela apareceu.

- Olha como o céu tá bonito, mamãe - Eu disse - a minha cor preferida é o azul.

- A minha também é, eu adoro o azul - Mamãe respondeu.

- Sabe porquê? Porque azul é a cor do céu, e é no céu que a Isabela está. - Eu disse

Realmente, eu adoro a cor azul, e isso é um segredo, pois desde pré-adolescente eu decidi que minha cor preferida seria o rosa. Não porque eu realmente gostava de rosa, apesar de gostar e achar a cor mais fofa que uma menina poderia gostar, mas porque o rosa é a marca principal de uma patricinha popular da escola. É isso que eu queria ser, e acho que consegui. 

Quando eu tinha quatorze anos, uma menina do 3º ano do colegial me disse no twitter que eu mereço apanhar muito pra ver que a vida não é um conto de fadas. No dia seguinte, uma guria da minha sala e eu brigamos, antes da primeira aula. Minha boca e meu nariz sangraram, e na hora do intervalo, eu vi a garota-do-twitter agradecendo em voz alta à menina que havia me batido mais cedo, tudo para me mostrar que a vida não é cor-de-rosa. Realmente, a vida não é um conto-de-fadas, mas se fosse, eu gostaria que elas fossem as bruxas más que sempre se dão super mal no final, só para poder rir delas que nem elas riram de mim.

Nenhum comentário:

Postar um comentário